quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Karibu 2011!

Ano novo, vida nova. Ou vida velha?
Minha virada de ano foi diferente de todas as outras e combinou com meu ano maluco. Comemorei sozinha. Senti-me sozinha, mas debaixo do mesmo céu que as pessoas que amo. Estive sozinha sem estar sozinha. Estive longe do mar. Tive a chance de começar o ano duas vezes.

2010 foi um ano cheio de significado, não foi um ano fácil.

Algumas coisas novas que espero para 2011 vão se misturar a coisas velhas.  Fico em Magoma mais seis meses (vida velha). Fico em Magoma sozinha (vida nova).

Ano após ano nos enchemos de esperança e fazemos novos pedidos. Tinha três fitinhas do Senhor do Bomfim no meu braço com nove pedidos. Não lembro o que desejei, costumo brincar dizendo que pelo tempo que estão aqui devo ter desejado a paz mundial.
Em 2010, uma das fitinhas caiu aqui em Magoma. Os desejos? Não faço idéia, mas ainda carrego seis deles comigo.

2011 marcará minha busca por equilíbrio. Sempre fui uma pessoa de extremos: pra que dirigir a 120km/h se podemos dirigir a 160km/h? Em Magoma meus extremos se acalmam porque quero fazer o melhor para a comunidade. Quero ser o melhor para a comunidade.
Em 2011 quero correr (quase) todas as manhãs ao nascer do sol, quero dançar sozinha na sala até cair de cansaço (tá bom, até cansar um pouquinho). Quero colher melancias gigantes (essas têm que ser gigantes mesmo) e doces. Quero ver os estudantes aproveitando a oportunidade que estamos oferecendo. Quero tomar chuva, quero me encharcar (me molhar um poquinho...) carregando as mangueiras de irrigação. Quero curtir as saudades e aprender mais KiSwahili. Quero aprender Kisamba. Quero falar português (e ler em português). Quero falar espanhol e alemão. Quero ficar sozinha (sem vizinhos na janela e patos no jardim – será que consigo?). Quero estar com as pessoas de Magoma.

Quero dosar o que esperam de mim com o que tenho a oferecer. Quero que me entendam como diferente (indivíduo) e semelhante (pessoa). E esqueçam a cor da pele porque não faz a menor diferença.

Metade de mim agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
De outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim.

Quero chegar no fim, mas quero trilhar um caminho bonito até ele. Quero mais do que o fim, quero um meio de crianças sorridentes, melancias doces, chakula cha mchana (almoço na escola) e uma Magoma diferente.
Quero alguns extremos pra dar graça, mas sem exagero =)

Ah! Quero que minhas fitinhas do Senhor do Bonfim caiam do meu braço. E que venha a paz mundial!

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