segunda-feira, 13 de maio de 2013

Apresentando: Família Hussani




O galinheiro número 3 é mantido por uma família: Mama Halima, Aziza e Kilango.

Mama Halima (foto #1) é a secretária do nosso grupo, mulher de língua afiada que tem sempre uma atitude desafiadora e não engole sapos, estando certa ou errada. Ela não baixa a cabeça para os homens do grupo ou para os coordenadores de projeto e é uma mulher honesta, inteligente e que serve como referência para resolver todo tipo de questões comunitárias.
Mama Halima não tem uma vida fácil sustentando sua família (ela se separou do marido há muitos anos), incluindo uma filha com sérios problemas de saúde que apesar de não ter capacidade de tomar decisões independentes ou de se locomover sozinha está grávida pela segunda vez.

Minha qualidade preferida em Mama Halima é sua capacidade de fazer a mais sisuda criatura gargalhar incontrolavelmente - quando ela está de bom-humor.


Aziza (foto #2) é filha de Mama Halima e casada com Kilango, homem bastante influente na vila e que tem outras três esposas. Aziza é forte, espirituosa e divertida, mas não muito constante em seu trabalho com o grupo. Ela tem duas filhas e um filho com Kilango (foto #4).

Como tem filhos pequenos e passa bastante tempo em casa, Aziza tem papel fundamental em cuidar do galinheiro que fica em seu quintal.


Kilango (foto #3) é um muçulmano influente que muitas vezes chamamos de sheik não sei se porque ele é mesmo um sheik ou se só para provocar. Kilango tem um grande plot de terras em Kwak e normalmente colhe uma quantidade sigificativa de milho, sendo um dos poucos agricultores que utilizam um trator para preparar a terra. Entretanto trator não faz chover e por isso (além do fato de ter muitas bocas para alimentar) Kilango encarou um período bem difícil de fome este ano, sem ter como  alimentar suas famílias.

A barriga charmosa de Kilango mostra que ele não trabalha tanto com a enxada, mas sua curiosidade e vontade de aprender e saber sobre tudo tornam Kilango um parceiro super divertido e polêmico. Dois de seus mais recentes temas favoritos para discussão são o imperialismo norte-americano e o casamento gay. E por incrível que possa parecer ele tem mente aberta e bons argumentos para ambos os temas. Nunca vou esquecer a expressão de Kilango no dia em que contei a ele que temos indígenas no Brasil que vivem sem roupa :)

domingo, 12 de maio de 2013

Apresentando: Raimond



Raimond é o espírito jovem do nosso grupo. Um homem bonito pelo qual nossas coordenadoras de projeto sempre suspiram e que liderou do telhado a construção dos galinheiros.

Raimond é casado com Mama Godi e tem dois filhos, Godi (motivo pelo qual Blandina é chamada Mama Godi) e Justine. O jovem casal cozinha junto e incrementa sua receita com um mgahawa, restaurante local em frente à sua casa, desde que a fome apertou e as lavouras secaram.

O novo sonho de Raimond é ganhar dinheiro suficiente com a venda de ovos para construir um cercado para sua casa, no estilo dos nossos galinheiros, e manter suas galinhas locais, patos e cabras protegidos.

Raimond fez meus dias mais felizes ao construir os galinheiros vestindo uma camisa do Brasil. Isto e um dia de chuva, em que eu cantava e dançava sob os pingos, fez com que terminássemos os galinheiros ao som de samba - e já planejamos comemorar os omeletes com muita música brasileira.

sábado, 11 de maio de 2013

Apresentando: Mama Gila




Mama Gila: mulher engraçada que é dona de um dos botecos locais. Mama Gila vende pombe, cachaça tanzaniana, tanto em teor alcoólico normal (forte) como a extra forte (puro álcool), que é proibida por lei por causar intoxicação. Seu bar lhe garante sustento enquanto ela cuida dos netos – as meninas têm filhos bem cedo por aqui.

Mama Gila é a tesoureira do grupo, responsável por tomar conta do dinheiro e dos equipamentos. Habituada a lidar com dinheiro e homens bébados ela não tem medo de dizer não e mantém os bens do grupo seguros e organizados.

No dia da foto, Mama Gila surgiu com um pano cobrindo a cabeça, mais baixo na testa que o normal. Quando perguntei o que havia acontecido ouvi que ela tinha caído, para mais tarde descobrir que Baba Gila, seu marido, havia batido nela.
Violência doméstica não é cotidiana por aqui e essa constatação me fez tristemente passar a cumprimentar Baba Gila com frieza.

Mama Gila é a pessoa mais rápida que já vi fazendo chapati! (uma espécie de panqueca de farinha, água e fermento).

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Apresentando: Mama Mwaka




Mama Mwaka: a pessoa que eu queria casar com Mzee Rubeni é uma mulher forte que carrega árvores na cabeça e deixa todos os homens boquiabertos com o tamanho de seus braços e as garras que são seus pés. No entanto, quando abre o sorriso, se torna uma mãe doce que cuida de si mesma e que honra seus compromissos sem nunca deixar de ser carinhosa.

Mama Mwaka vive na menor de todas as casas do grupo, um quarto e cozinha de pau-a-pique que fica recuada da estrada e tem uma árvore onde deitamos à sombra para descansar dos dias de trabalho e para comer nossas refeições com as mãos.
No auge da fome em Kwak, em janeiro deste ano, Mama Mwaka cozinhou por vários dias para o Sam, para nossos coordenadores de projeto e para mim. O acordo era que eu pagaria pela comida, mas quando o momento chegou vi uma Mama Mwaka brava, que se recusou a aceitar o meu dinheiro e disse que eu era sua família e família não paga para comer em sua casa – e não adiantou argumentar que a “família” havia trazido 14 outras bocas para seu tapete.

Mama Mwaka dizia no começo que comida para ela era ugali (pasta de milho com água, tradicional da região) e me fez muito feliz quando finalmente passou a ter sua boca salivando com a perspectiva de omeletes.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Apresentando: Mzee Adamu



Mzee Adamu: os dentes que lhe faltam na boca lhe dão um olhar sisudo que dura apenas até ele abrir o sorriso e se encher de orgulho de seu galinheiro, de sua horta e da futura floresta que está crescendo em seu quintal.

Mzee Adamu é bravo, ninguém mexe com ele, e vindo das montanhas de Lushoto entende um pouco de cultivo de vegetais – mais de uma vez eu comprei suas berinjelas. E sonha em ver uma Kwakiliga verde, cheia de árvores, então cuida de cada mudinha ao redor de sua casa.

Mzee Adamu tem cabras muito bem cuidadas e é bem jeitoso em carpintaria. Ele e sua esposa, Mama Adamu, guardam os segredos da tradicional culinária sambaa (sua tribo) e mesmo em períodos de fome têm frutas e vegetais secos escondidos em algum lugar dentro de casa.
Mama Adamu cozinha a melhor bada da região (pasta de mandioca com água).

Há dias que eu não sei o que estou fazendo aqui. Hoje não é um deles!

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Depois de 15 dias sem supervisão logo após receberem as primeiras galinhas, nossos parceiros em Kwakiliga provaram que estavam prontos para a responsabilidade:
  • Todas as galinhas sobreviveram e são provavelmente as galinhas mais saudáveis (e felizes!) da região;
  • As 106 mudas de árvores que eu deixei em Kwak antes de viajar foram plantadas e as árvores estão grandes e saudáveis;
  • A comida está sendo administrada corretamente, incluindo o aumento da quantidade conforme as galinhas crescem;
  • Apesar de três galinhas terem ficado doentes, elas foram medicadas imediatamente e separadas das demais e todas se recuperaram plenamente;
  • Ninguém está entrando no galinheiro sem os sapatos corretos - doenças não estão sendo carregadas para dentro;
  • Nosso network está super engajado! Babu, nosso parceiro em Magoma e líder da iniciativa de reflorestamento, plantou as árvores com nossos parceiros em Kwak e tem supervisionado seu crescimento.
As galinhas parecem estar muito felizes com seus playgrounds - cada galinheiro tem uma área onde as galinhas voam, correm e comem insetos e folhas. A coisa mais impressionante para mim hoje foi perceber que as nossas galinhas não têm medo de gente - eu sentei em cada um dos galinheiros e todas as galinhas chegaram perto, curiosas, e bicaram meus dedos.
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Números:
3 galinheiros + 101 galinhas + 6 meses de comida para galinhas + 6 meses de remédios para galinhas + 106 árvores + arroz e feijão para os dias de trabalho + treinamentos = US$3,300 (dos quais já arrecadamos US$1,100).

Meu objetivo é arrecadar R$4.000,00.
Todos os contribuintes receberão, como sempre, atualizações sobre o andamento do projeto e um relatório financeiro explicando como o dinheiro foi gasto. 

Nos ajudem a transformar sonhos em omeletes!


Para contribuir:

Pelo site da 2Seeds é possível contribuir via PayPal ou cartão de crédito:
http://www.2seeds.org/donate/
Não se esqueça de especificar que a doação se destina a Kwakiliga.

Para depósito em conta-corrente continuo usando minha conta pessoal no Brasil e transferindo o dinheiro para a organização (postarei os comprovantes):
Banco Itaú
Agência 0192
C/C 18513-0
Ana Alexandrina Rocha
CPF 115.069.598-65
Não se esqueça de especificar que a doação se destina a Kwakiliga.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Apresentando: Mzee Rubeni




Mzee Rubeni: o doce solteirão de Kwak, sempre cavalheiro, sempre romântico, buscando uma mulher que cuide dele e que lhe dê amor. Claro que ele já foi casado, algumas vezes, mas como bom romântico é um belo galanteador.

Mzee Rubeni compra DVDs em Korogwe, filmes de ação e luta, e os exibe em seu vídeo-show, uma TV em sua sala-de-estar, o que lhe garante uma pequena renda mensal e complementa sua aposentadoria (luxo que muito poucos têm na Tanzânia e herança de seu passado trabalhando na indústria de sisal).

Agricultor de coração ele não mede esforços para manter um jardinzinho fora de casa e uma roça (que infelizmente não tem crescido, como mostra a foto do que deveria ser uma plantação de mandioca).