sábado, 11 de maio de 2013

Apresentando: Mama Gila




Mama Gila: mulher engraçada que é dona de um dos botecos locais. Mama Gila vende pombe, cachaça tanzaniana, tanto em teor alcoólico normal (forte) como a extra forte (puro álcool), que é proibida por lei por causar intoxicação. Seu bar lhe garante sustento enquanto ela cuida dos netos – as meninas têm filhos bem cedo por aqui.

Mama Gila é a tesoureira do grupo, responsável por tomar conta do dinheiro e dos equipamentos. Habituada a lidar com dinheiro e homens bébados ela não tem medo de dizer não e mantém os bens do grupo seguros e organizados.

No dia da foto, Mama Gila surgiu com um pano cobrindo a cabeça, mais baixo na testa que o normal. Quando perguntei o que havia acontecido ouvi que ela tinha caído, para mais tarde descobrir que Baba Gila, seu marido, havia batido nela.
Violência doméstica não é cotidiana por aqui e essa constatação me fez tristemente passar a cumprimentar Baba Gila com frieza.

Mama Gila é a pessoa mais rápida que já vi fazendo chapati! (uma espécie de panqueca de farinha, água e fermento).

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Apresentando: Mama Mwaka




Mama Mwaka: a pessoa que eu queria casar com Mzee Rubeni é uma mulher forte que carrega árvores na cabeça e deixa todos os homens boquiabertos com o tamanho de seus braços e as garras que são seus pés. No entanto, quando abre o sorriso, se torna uma mãe doce que cuida de si mesma e que honra seus compromissos sem nunca deixar de ser carinhosa.

Mama Mwaka vive na menor de todas as casas do grupo, um quarto e cozinha de pau-a-pique que fica recuada da estrada e tem uma árvore onde deitamos à sombra para descansar dos dias de trabalho e para comer nossas refeições com as mãos.
No auge da fome em Kwak, em janeiro deste ano, Mama Mwaka cozinhou por vários dias para o Sam, para nossos coordenadores de projeto e para mim. O acordo era que eu pagaria pela comida, mas quando o momento chegou vi uma Mama Mwaka brava, que se recusou a aceitar o meu dinheiro e disse que eu era sua família e família não paga para comer em sua casa – e não adiantou argumentar que a “família” havia trazido 14 outras bocas para seu tapete.

Mama Mwaka dizia no começo que comida para ela era ugali (pasta de milho com água, tradicional da região) e me fez muito feliz quando finalmente passou a ter sua boca salivando com a perspectiva de omeletes.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Apresentando: Mzee Adamu



Mzee Adamu: os dentes que lhe faltam na boca lhe dão um olhar sisudo que dura apenas até ele abrir o sorriso e se encher de orgulho de seu galinheiro, de sua horta e da futura floresta que está crescendo em seu quintal.

Mzee Adamu é bravo, ninguém mexe com ele, e vindo das montanhas de Lushoto entende um pouco de cultivo de vegetais – mais de uma vez eu comprei suas berinjelas. E sonha em ver uma Kwakiliga verde, cheia de árvores, então cuida de cada mudinha ao redor de sua casa.

Mzee Adamu tem cabras muito bem cuidadas e é bem jeitoso em carpintaria. Ele e sua esposa, Mama Adamu, guardam os segredos da tradicional culinária sambaa (sua tribo) e mesmo em períodos de fome têm frutas e vegetais secos escondidos em algum lugar dentro de casa.
Mama Adamu cozinha a melhor bada da região (pasta de mandioca com água).

Há dias que eu não sei o que estou fazendo aqui. Hoje não é um deles!

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Depois de 15 dias sem supervisão logo após receberem as primeiras galinhas, nossos parceiros em Kwakiliga provaram que estavam prontos para a responsabilidade:
  • Todas as galinhas sobreviveram e são provavelmente as galinhas mais saudáveis (e felizes!) da região;
  • As 106 mudas de árvores que eu deixei em Kwak antes de viajar foram plantadas e as árvores estão grandes e saudáveis;
  • A comida está sendo administrada corretamente, incluindo o aumento da quantidade conforme as galinhas crescem;
  • Apesar de três galinhas terem ficado doentes, elas foram medicadas imediatamente e separadas das demais e todas se recuperaram plenamente;
  • Ninguém está entrando no galinheiro sem os sapatos corretos - doenças não estão sendo carregadas para dentro;
  • Nosso network está super engajado! Babu, nosso parceiro em Magoma e líder da iniciativa de reflorestamento, plantou as árvores com nossos parceiros em Kwak e tem supervisionado seu crescimento.
As galinhas parecem estar muito felizes com seus playgrounds - cada galinheiro tem uma área onde as galinhas voam, correm e comem insetos e folhas. A coisa mais impressionante para mim hoje foi perceber que as nossas galinhas não têm medo de gente - eu sentei em cada um dos galinheiros e todas as galinhas chegaram perto, curiosas, e bicaram meus dedos.
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Números:
3 galinheiros + 101 galinhas + 6 meses de comida para galinhas + 6 meses de remédios para galinhas + 106 árvores + arroz e feijão para os dias de trabalho + treinamentos = US$3,300 (dos quais já arrecadamos US$1,100).

Meu objetivo é arrecadar R$4.000,00.
Todos os contribuintes receberão, como sempre, atualizações sobre o andamento do projeto e um relatório financeiro explicando como o dinheiro foi gasto. 

Nos ajudem a transformar sonhos em omeletes!


Para contribuir:

Pelo site da 2Seeds é possível contribuir via PayPal ou cartão de crédito:
http://www.2seeds.org/donate/
Não se esqueça de especificar que a doação se destina a Kwakiliga.

Para depósito em conta-corrente continuo usando minha conta pessoal no Brasil e transferindo o dinheiro para a organização (postarei os comprovantes):
Banco Itaú
Agência 0192
C/C 18513-0
Ana Alexandrina Rocha
CPF 115.069.598-65
Não se esqueça de especificar que a doação se destina a Kwakiliga.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Apresentando: Mzee Rubeni




Mzee Rubeni: o doce solteirão de Kwak, sempre cavalheiro, sempre romântico, buscando uma mulher que cuide dele e que lhe dê amor. Claro que ele já foi casado, algumas vezes, mas como bom romântico é um belo galanteador.

Mzee Rubeni compra DVDs em Korogwe, filmes de ação e luta, e os exibe em seu vídeo-show, uma TV em sua sala-de-estar, o que lhe garante uma pequena renda mensal e complementa sua aposentadoria (luxo que muito poucos têm na Tanzânia e herança de seu passado trabalhando na indústria de sisal).

Agricultor de coração ele não mede esforços para manter um jardinzinho fora de casa e uma roça (que infelizmente não tem crescido, como mostra a foto do que deveria ser uma plantação de mandioca).

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Apresentando: Mzee Mcharo

Temos parceiros fantásticos em Kwak e esta semana vou me dedicar a escrever um pouco sobre cada um deles, um parceiro por dia =)

Começando com nosso Mwenikiti, o líder do grupo, apresento Mzee Mcharo:




O melhor agricultor da vila, Mzee Mcharo faz sempre tudo certo e tem uma família doce e unida. Sua esposa, Mama Mcharo, começou a vender hafi-keki (Swahili for half-cake, um bolinho quadrado frito, duro, feito de farinha, água e um pouco de açúcar) para trazer renda para a família quando a lavoura secou.

Os Mcharo têm um filho e três filhas. As meninas do meio foram aprovadas em escolas secundárias de qualidade mesmo vindo de uma escola primária que mal tem paredes. A anuidade é cara, mas Mzee Mcharo diz que se elas foram competentes para entrar ele não vai pará-las por falta de dinheiro – e assim a família se espreme para pagar educação.

Mzee Mcharo tenta de tudo, sempre no tempo certo, nunca está atrasado para o cultivo e mesmo assim amargou um período de fome excruciante depois de 3 anos sem chuva. Ainda me lembro da primeira vez que pisei em Kwak, em 2010, quando comemos melancias da horta de Mzee Mcharo (que desde então não viu uma espiga de milho).

Os Mcharo são muito magros, beiram 0% de gordura corporal, mas dividem o pouco que têm e vivem com amor e alegria. O chá de gengibre de Mama Mcharo é imbatível!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Um oásis no meio do sertão: transformando sonhos em omeletes





Já escrevi bastante sobre Kwakiliga, esta vila de terra vermelha e sem fontes de água que tem pessoas que trabalham cantando mesmo quando estão com fome e que riem da sua sorte para evitar as lágrimas.
Há três anos não chove em Kwak. Há três anos não há colheita.

Em nosso último summit em Korogwe, reunião em que representantes de todos os projetos se reunem para discutir seu progresso e desafios, meus olhos marejaram de orgulho de Kwakiliga: não tínhamos resultados para mostrar, mais uma vez, e os desafios pareciam abismos se abrindo sob nossos pés.
Nossos parceiros resumiram nossa história com uma lista de fracassos agrícolas: milho, lentilha, mais milho, girassol e até mesmo mandioca, a mais resistente das raízes, que sobrevive quase (palavra-chave) sem água.
Quando o salão secou em silêncio e todos se entreolharam tristes, Mama Halima, a secretária do grupo, levantou os olhos e disse: mas nós não desistimos! Vamos criar galinhas!

O que me encanta na 2Seeds é que aqui não temos um projeto de plantar girassol, milho ou lentilha. Nossos projetos carregam os nomes das vilas e a força de nossos parceiros. Kwakiliga é o melhor exemplo de que sucesso e fracasso são conceitos mais complexos do que números de colheita. Enquanto a lavoura morria, ano após ano, o grupo se fortalecia e sua perseverança se apoiava no senso de união.

Desde janeiro vejo os calos e as cicatrizes se multiplicarem no mesmo ritmo em que o brilho dos olhos de nossos parceiros ofusca o cansaço. Começamos a construir nossos galinheiros, inspirados num modelo integrado e sustentável brasileiro (veja post anterior) com nossas próprias mãos.
Há duas semanas os galinheiros completos (e lindos) receberam suas primeiras galinhas. Começamos devagar (34 galinhas no galinheiro #1, 34 galinhas no galinheiro #2 e 33 galinhas no galinheiro #3) para reduzir o risco e o investimento até que nossos parceiros ganhem o conhecimento e a experiência necessários para prosperar. Ao redor dos galinheiro plantamos 106 árvores, uma forma de devolver à terra a madeira que usamos e também de criar uma sombra futura em terra de sol latente. As árvores integram nosso sistema sustentável e nossa esperança é que elas nos ajudem a reabilitar o solo para que comecemos a desenhar o nosso oásis.


Números:
3 galinheiros + 101 galinhas + 6 meses de comida para galinhas + 6 meses de remédios para galinhas + 106 árvores + arroz e feijão para os dias de trabalho + treinamentos = US$3,300 (dos quais já arrecadamos US$1,100).

Meu objetivo é arrecadar R$4.000,00.
Todos os contribuintes receberão, como sempre, atualizações sobre o andamento do projeto e um relatório financeiro explicando como o dinheiro foi gasto. 

Nos ajudem a transformar sonhos em omeletes!


Para contribuir:

Pelo site da 2Seeds é possível contribuir via PayPal ou cartão de crédito:
http://www.2seeds.org/donate/
Não se esqueça de especificar que a doação se destina a Kwakiliga.

Para depósito em conta-corrente continuo usando minha conta pessoal no Brasil e transferindo o dinheiro para a organização (postarei os comprovantes):
Banco Itaú
Agência 0192
C/C 18513-0
Ana Alexandrina Rocha
CPF 115.069.598-65
Não se esqueça de especificar que a doação se destina a Kwakiliga.