Os últimos dias foram ótimos. Domingo eu usei a longa missa para, discretamente, estudar Swahili. Mas todos foram tão atenciosos conosco que deu até para entender parte das preces - estavam sempre chegando explicações e bíblias em inglês.
E fomos apresentados na igreja, para todo mundo. Interessante ir até o meio da nave e dizer quem somos, porque estamos aqui e tudo mais. As correspondências também são distribuídas na missa.
Lembro sempre da Regiane que dizia, quando estava grávida, que as pessoas achavam que ela era o Buda (quando todos tentavam tocar sua barriga). As pessoas aqui querem tocar nas mzungu, estão sempre buscando uma razão para isso. Me sinto a Miss Brasil de tanto acenar para todos os lados.
São todos prestativos, carinhosos e, acima de tudo, curiosos.
Como brasileiros, povo miscigenado por natureza, não sei se vocês conseguem ter uma idéia do choque que é ser mzungu aqui. As pessoas vêem diferença de raças 100% do tempo sendo que eu não vejo essa diferença. Eu nunca me senti mzungu e continuo não me sentindo, tenho referências brancas e negras que são parte integrante da minha vida.
Depois da missa fomos levadas à casa da Bibi (avó) e ela tinha preparado café da manhã pra gente, chai (chá) e mandazi (parece um bolinho de chuva, mas sem o açúcar e a canela). Bibi e Babo são deliciosos, super carinhosos. E a comadre da Bibi se tornou nossa segunda Bibi, doidinha de tudo e sempre querendo nos agradar.
Fomos ao mercado, que é a feira livre semanal. As pessoas caminham de todos os vilarejos para vender seus produtos aqui - como uma feira livre brasileira, mas tudo acontece no chão.
Compramos alguns vegetais e observei um pouco como as coisas acontecem. Fiquei surpresa, pois o volume de vendedores é bem grande. A feira tem comida, utensílios e roupas e ocupa toda a área central do vilarejo. Difícil mensurar o volume de dinheiro negociado ali, não estou segura de que todas as pessoas que expõem seus produtos conseguem vender alguma coisa. Mas, de qualquer forma, foi bem mais movimentado do que eu esperava.
Depois fomos pra Korogwe encontrar todo mundo e celebrar o aniversário do Andrew (The Lutindi Project). O ônibus demorou 2h15 para chegar a Korogwe e foram 2 horas bem movimentadas, um entra-e-sai, o ônibus lotado de pessoas, crianças e coisas e todo mundo compartilhando tudo, de comida a crianças – vim com um menininho no colo o caminho todo.
Rever o pessoal de Lutindi e Korogwe foi maravilhoso. Estávamos todos sentindo falta uns dos outros e foi extremamente confortável comer uma refeição completa e cheia de temperos preparada pela irmã do Yakub. Trocamos experiências e idéias, conseguimos acessar a internet, comemos bem – e ainda tomei uma cerveja.
Uma coisa que acontece aqui, e que vivi um bom tempo trabalhando no acampamento, é que não há distinção entre vida pessoal e profissional. Estamos trabalhando todo o tempo e recebendo pessoas em casa. Também estamos sendo avaliadas todo o tempo, não há pra onde correr.
A volta para Magoma foi na segunda-feira, no mesmo ônibus movimentado, mas um pouco menos lenta.
E esta semana realizei vários desejos. Tomei uma água de coco (e comi o coco) na casa da vizinha; cozinhei uma berinjela que, modéstia a parte, ficou deliciosa; carreguei um bebê nas costas à moda africana (Dastani, filho da vizinha). Hoje fomos ajudá-la a cortar lenha bem cedinho e carreguei a lenha na cabeça morro abaixo.
Falando sobre trabalho, ontem tivemos uma reunião muito interessante com a World Vision / ADP, ONG que trabalha aqui há 10 anos. Deram-nos um panorama bem interessante das iniciativas que coordenam e das dificuldades de trabalhar aqui. Teremos uma nova reunião, em breve, com o coordenador de segurança alimentar.
Hoje vou me apresentar ao Shehe, responsável pela mesquita. Torçam pra que eu me comporte da maneira devida, não conheço os protocolos. Depois conto como me saí.
E temos uma manifestação de senhorinhas tocando tambores nos esperando mais tarde. Ontem as filmei e hoje me chamaram para filmar novamente, super divertido.
Assim segue a vida em Magoma :)
quarta-feira, 21 de julho de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Fotos :)
Como não estou conseguindo carregar as fotos aqui, segue o link do Flickr:
http://www.flickr.com/photos/themagomaproject/
Espero que todos gostem, tem algumas fotos bem legais lá :)
http://www.flickr.com/photos/themagomaproject/
Espero que todos gostem, tem algumas fotos bem legais lá :)
Magoma - 4 dias
Estamos em Magoma há 4 dias e, apesar de termos conseguido nos conectar no primeiro dia, não existe conexão. Estou sempre tentando carregar notícias e fotos, mas tem sido uma tarefa pouco produtiva.
Continuo chateada por não falar Swahili e tentando aprender no dia-a-dia. Nos últimos 2 dias considero que meu entendimento melhorou significativamente mas ainda está muito longe do ideal. Tenho tentando estudar um pouco de gramática e aprender alguns verbos, vamos ver como me saio.
Nos últimos 4 dias fizemos coisas que eu achei que demoraríamos duas semanas para fazer. Fomos à escola primária, secundária (3km da vila), ao hospital (mais adequado dizer posto de saúde), ao mercado (uma espécie de feira livre onde as mulheres vendem frutas e legumes no chão), às plantações de arroz, de milho e de sisal, aos 3 lagos da região, a 4 vilarejos (e passamos por alguns outros a caminho de Mashewa), à vila de Mashewa, à administração de Magoma, a uma festa na World Vision (ONG que atua na região há 10 anos) e andamos muito por Makangara (vila em que estamos morando).
Um ponto importante foi a descoberta de que as escolas possuem grandes terras não utilizadas, nas quais podemos trabalhar. Especialmente a escola primária, que se destaca pela excelência na região, pareceu uma ótima opção de parceria e um território neutro, no qual nosso trabalho beneficiaria cristãos, muçulmanos e qualquer outra religião. E me atrai bastante a idéia de trabalhar de uma forma que beneficie as crianças e crie uma nova forma de pensar.
A estrutura das escolas é bastante precária, a escola secundária tem 5 professores para 540 alunos. Isso porque a região não é atraente para os professores, que não têm vontade de trabalhar e viver em solo tão árido. Algumas crianças caminham 8km para chegar à escola e mais 8km para voltar pra casa. O cansaço prejudica o aprendizado e faz com que o número de faltas seja bastante significativo. Com tudo isso, para cada 500 alunos estudando, apenas 1 prossegue além da escola secundária.
Além disso, não há energia elétrica e ainda que as aulas ocorram durante o dia eu acho que luz sempre ajuda. O abastecimento de água também é falho. As escolas não oferecem refeições e fico imaginando como seria bom garantir que as crianças tenham alimentação adequada enquanto estudam, já que muitas não têm o que comer quando voltam pra casa. Seria também uma ótima oportunidade para aumentar o valor nutricional das refeições.
A área que estamos trabalhando abrange 25 vilarejos e cerca de 50.000 pessoas (senso de 2002), com equilíbrio entre homens e mulheres.
Visitar as plantações de arroz foi bastante divertido, caminhamos na lama, pois a plantação de arroz fica sobre um dos lagos, que tem pouca água por causa da seca. Aparentemente todos os lagos daqui têm crocodilos, mamba em Kiswahili, mas não tivemos a chance de ver nenhum. No Lago Kilemele as pessoas nem mesmo pescam, com medo dos mambas. Eu tirei fotos, convidei os crocodilos a sorrirem para mim, mas aparentemente eles não estão tão curiosos com as mzungu (brancas) como todas as pessoas. Mas essa história ainda terá novos capítulos, espero tirar pelo menos uma foto (com o super zoom da minha máquina, claro) de um mamba até dezembro.
É comum vermos crianças trabalhando, tanto na plantação de arroz como na de milho. Um dos lugares que me partiu o coração foi a “indústria de tijolos”. Na verdade é um descampado em que crianças fazem centenas de tijolos de lama, que posteriormente serão queimados nos fornos a carvão. É um lugar em que, em minha opinião, nenhuma criança deveria trabalhar, especialmente quando sabemos que estão deixando de ir à escola para isso. Cada tijolo que fazem vale TSH20 e cada tijolo queimado é vendido por TSH72 a TSH100 – lembrem que US$1 = TSH1167.
A ida a Mashewa, vilarejo que fica alguns km à frente de Magoma, foi deliciosa. Ali fica o lago Kwata, lindíssimo e gigantesco. Este sim tem bastante água e é usado para pesca, mas até mesmo ele seca no verão. O pôr-do-sol em Mashewa, assim como todo o trajeto em pikipiki (motocicletas), foi extremamente prazeroso. Eu estava particularmente interessada em ir a Mashewa porque Yakub (nosso parceiro tanzaniano) sempre demonstrou interesse em me levar até lá. De alguma forma seu coração está em Mashewa – ficou fácil entender por que.
Magoma é o lugar mais árido que visitamos, a seca é severa aqui. O sol castiga e isso é visível no rosto das pessoas. A falta de chuva prejudica a colheita e a alimentação é basicamente milho (maize em inglês, aquele milho branquinho quase sem gosto). Com milho e água, as pessoas fazem ugali, uma espécie de cuscuz. A água tem cheiro e gosto, é barrosa. E o ugali não tem qualquer tempero, deixando a refeição completamente insossa.
Temos agora a chance de cozinhar, mas sinceramente não é uma tarefa fácil já que temos apenas uma boca de fogareiro que cheira a querosene. Preparar uma refeição completinha leva tempo, pois temos que cozinhar uma coisa de cada vez. Estou aproveitando para tentar emagrecer os quilos que ganhei durante a arrecadação e preparação da viagem, tarefa que ainda não se mostrou produtiva. Nossa alimentação é basicamente composta de carboidratos. E minhas barrinhas de cereal brasileiras têm sido meu porto seguro.
Hoje fui a um funeral na vila. Funeral cristão com pessoas cantando. Lá encontrei meu babo (avô) e minha bibi (avó) tanzanianos. Confesso que foi bom ter essas figuras doces por perto.
Amanhã é domingo e vamos à missa anglicana, que começa às 7h30. Serão duas horas ouvindo preces em Swahili sem entender uma palavra e sem poder demonstrar cansaço. Na próxima semana será a vez da missa católica e em algum momento pretendo ir à celebração muçulmana, que não faço idéia de como é ou se posso participar sendo mulher (não sei nem mesmo se existe uma “missa” muçulmana, mas me informarei sobre isso com Yakub). Tudo para ser parte da comunidade como um todo e não de apenas um segmento.
A festa da World Vision foi uma despedida para 3 pessoas que estavam deixando a equipe. Fizeram-me cantar em português (Águas de Março me pareceu apropriada), tive a oportunidade de falar um pouco sobre minhas razões para estar aqui e ainda dancei uma música. Foi divertido, finalmente minha primeira dança na Tanzânia (basicamente um passinho pra direita e outro pra esquerda).
Outro bom momento foi uma caminhada que fizemos na montanha aqui ao lado. Ver os vilarejos e o lago do alto foi lindo.
Alguns problemas que prejudicam o desenvolvimento tanzaniano: a energia elétrica, que é originada em usinas hidrelétricas, é cara e inconstante. Falta luz pelo menos uma vez todos os dias. Em Magoma, quase nenhuma casa tem energia elétrica, eu diria que no máximo 10%.
A conexão com a internet não existe na vila. Enviei um email do aeroporto de Londres, quando estava a caminho de Dar es Salaam, para Maria, funcionária da World Vision em cuja casa estou morando. Ela leu o email 15 dias depois. Isso significa que mesmo uma ONG estruturada, que trabalha aqui há 10 anos, trabalha desconectada – não há computadores na World Vision.
Outra questão é que todas as terras pertencem ao governo. Isso significa que você pode fazer investimentos em uma área e a ter desapropriada sem qualquer aviso. Muitas pessoas dizem que esse é o maior entrave ao desenvolvimento tanzaniano.
Desculpem o longo post e obrigada a todos que o leram até aqui. Vou tentar carregar imagens no Flickr e postá-las, para deixar o blog mais interessante.
Saudades de todos! Tutaonana (tchau)!
Continuo chateada por não falar Swahili e tentando aprender no dia-a-dia. Nos últimos 2 dias considero que meu entendimento melhorou significativamente mas ainda está muito longe do ideal. Tenho tentando estudar um pouco de gramática e aprender alguns verbos, vamos ver como me saio.
Nos últimos 4 dias fizemos coisas que eu achei que demoraríamos duas semanas para fazer. Fomos à escola primária, secundária (3km da vila), ao hospital (mais adequado dizer posto de saúde), ao mercado (uma espécie de feira livre onde as mulheres vendem frutas e legumes no chão), às plantações de arroz, de milho e de sisal, aos 3 lagos da região, a 4 vilarejos (e passamos por alguns outros a caminho de Mashewa), à vila de Mashewa, à administração de Magoma, a uma festa na World Vision (ONG que atua na região há 10 anos) e andamos muito por Makangara (vila em que estamos morando).
Um ponto importante foi a descoberta de que as escolas possuem grandes terras não utilizadas, nas quais podemos trabalhar. Especialmente a escola primária, que se destaca pela excelência na região, pareceu uma ótima opção de parceria e um território neutro, no qual nosso trabalho beneficiaria cristãos, muçulmanos e qualquer outra religião. E me atrai bastante a idéia de trabalhar de uma forma que beneficie as crianças e crie uma nova forma de pensar.
A estrutura das escolas é bastante precária, a escola secundária tem 5 professores para 540 alunos. Isso porque a região não é atraente para os professores, que não têm vontade de trabalhar e viver em solo tão árido. Algumas crianças caminham 8km para chegar à escola e mais 8km para voltar pra casa. O cansaço prejudica o aprendizado e faz com que o número de faltas seja bastante significativo. Com tudo isso, para cada 500 alunos estudando, apenas 1 prossegue além da escola secundária.
Além disso, não há energia elétrica e ainda que as aulas ocorram durante o dia eu acho que luz sempre ajuda. O abastecimento de água também é falho. As escolas não oferecem refeições e fico imaginando como seria bom garantir que as crianças tenham alimentação adequada enquanto estudam, já que muitas não têm o que comer quando voltam pra casa. Seria também uma ótima oportunidade para aumentar o valor nutricional das refeições.
A área que estamos trabalhando abrange 25 vilarejos e cerca de 50.000 pessoas (senso de 2002), com equilíbrio entre homens e mulheres.
Visitar as plantações de arroz foi bastante divertido, caminhamos na lama, pois a plantação de arroz fica sobre um dos lagos, que tem pouca água por causa da seca. Aparentemente todos os lagos daqui têm crocodilos, mamba em Kiswahili, mas não tivemos a chance de ver nenhum. No Lago Kilemele as pessoas nem mesmo pescam, com medo dos mambas. Eu tirei fotos, convidei os crocodilos a sorrirem para mim, mas aparentemente eles não estão tão curiosos com as mzungu (brancas) como todas as pessoas. Mas essa história ainda terá novos capítulos, espero tirar pelo menos uma foto (com o super zoom da minha máquina, claro) de um mamba até dezembro.
É comum vermos crianças trabalhando, tanto na plantação de arroz como na de milho. Um dos lugares que me partiu o coração foi a “indústria de tijolos”. Na verdade é um descampado em que crianças fazem centenas de tijolos de lama, que posteriormente serão queimados nos fornos a carvão. É um lugar em que, em minha opinião, nenhuma criança deveria trabalhar, especialmente quando sabemos que estão deixando de ir à escola para isso. Cada tijolo que fazem vale TSH20 e cada tijolo queimado é vendido por TSH72 a TSH100 – lembrem que US$1 = TSH1167.
A ida a Mashewa, vilarejo que fica alguns km à frente de Magoma, foi deliciosa. Ali fica o lago Kwata, lindíssimo e gigantesco. Este sim tem bastante água e é usado para pesca, mas até mesmo ele seca no verão. O pôr-do-sol em Mashewa, assim como todo o trajeto em pikipiki (motocicletas), foi extremamente prazeroso. Eu estava particularmente interessada em ir a Mashewa porque Yakub (nosso parceiro tanzaniano) sempre demonstrou interesse em me levar até lá. De alguma forma seu coração está em Mashewa – ficou fácil entender por que.
Magoma é o lugar mais árido que visitamos, a seca é severa aqui. O sol castiga e isso é visível no rosto das pessoas. A falta de chuva prejudica a colheita e a alimentação é basicamente milho (maize em inglês, aquele milho branquinho quase sem gosto). Com milho e água, as pessoas fazem ugali, uma espécie de cuscuz. A água tem cheiro e gosto, é barrosa. E o ugali não tem qualquer tempero, deixando a refeição completamente insossa.
Temos agora a chance de cozinhar, mas sinceramente não é uma tarefa fácil já que temos apenas uma boca de fogareiro que cheira a querosene. Preparar uma refeição completinha leva tempo, pois temos que cozinhar uma coisa de cada vez. Estou aproveitando para tentar emagrecer os quilos que ganhei durante a arrecadação e preparação da viagem, tarefa que ainda não se mostrou produtiva. Nossa alimentação é basicamente composta de carboidratos. E minhas barrinhas de cereal brasileiras têm sido meu porto seguro.
Hoje fui a um funeral na vila. Funeral cristão com pessoas cantando. Lá encontrei meu babo (avô) e minha bibi (avó) tanzanianos. Confesso que foi bom ter essas figuras doces por perto.
Amanhã é domingo e vamos à missa anglicana, que começa às 7h30. Serão duas horas ouvindo preces em Swahili sem entender uma palavra e sem poder demonstrar cansaço. Na próxima semana será a vez da missa católica e em algum momento pretendo ir à celebração muçulmana, que não faço idéia de como é ou se posso participar sendo mulher (não sei nem mesmo se existe uma “missa” muçulmana, mas me informarei sobre isso com Yakub). Tudo para ser parte da comunidade como um todo e não de apenas um segmento.
A festa da World Vision foi uma despedida para 3 pessoas que estavam deixando a equipe. Fizeram-me cantar em português (Águas de Março me pareceu apropriada), tive a oportunidade de falar um pouco sobre minhas razões para estar aqui e ainda dancei uma música. Foi divertido, finalmente minha primeira dança na Tanzânia (basicamente um passinho pra direita e outro pra esquerda).
Outro bom momento foi uma caminhada que fizemos na montanha aqui ao lado. Ver os vilarejos e o lago do alto foi lindo.
Alguns problemas que prejudicam o desenvolvimento tanzaniano: a energia elétrica, que é originada em usinas hidrelétricas, é cara e inconstante. Falta luz pelo menos uma vez todos os dias. Em Magoma, quase nenhuma casa tem energia elétrica, eu diria que no máximo 10%.
A conexão com a internet não existe na vila. Enviei um email do aeroporto de Londres, quando estava a caminho de Dar es Salaam, para Maria, funcionária da World Vision em cuja casa estou morando. Ela leu o email 15 dias depois. Isso significa que mesmo uma ONG estruturada, que trabalha aqui há 10 anos, trabalha desconectada – não há computadores na World Vision.
Outra questão é que todas as terras pertencem ao governo. Isso significa que você pode fazer investimentos em uma área e a ter desapropriada sem qualquer aviso. Muitas pessoas dizem que esse é o maior entrave ao desenvolvimento tanzaniano.
Desculpem o longo post e obrigada a todos que o leram até aqui. Vou tentar carregar imagens no Flickr e postá-las, para deixar o blog mais interessante.
Saudades de todos! Tutaonana (tchau)!
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Magoma – início
Hoje nos mudamos, Kristina e eu, para Magoma. Trouxemos alguns mantimentos que compramos no mercado de Korogwe, apenas para os primeiros dias, alguns utensílios domésticos. A viagem levou cerca de 1h10, nós duas, Sam, Jesse, Kanon Komba e sua esposa. Antes de sair, tomamos um copo do melhor suco do mundo, que a esposa do Kanon Komba faz com maracujás, mangas e abacates.
Tenho certeza que minha pobre descrição não dá nem a mais simples idéia do quanto o suco é delicioso. E isso vindo de uma pessoa que não gosta de manga nem de abacate.
As viagens de carro têm sido sempre divertidas. Hoje Sam e Kristina dormiram sentados e bateram cabeças, um no outro, no meio de uma curva. Gargalhadas garantidas.
Havia um grupo de pessoas nos esperando em Magoma: Maria (que está nos recebendo em sua casa), Faith (que é a dona da casa e vive na casa ao lado), Zen Francis (bem velhinho e uma simpatia, líder comunitário – zen é a palavra em Swahili para designar o mais velho), Christopher (outro líder comunitário) e Bruno (está estudando para se tornar professor e fala um ótimo inglês).
Foi maravilhoso chegar em casa, pudemos arrumar nossos quartos e espalhar nossas coisas. Eu e Kristina ficaremos em quartos separados, o que nos dá um pouco de privacidade e algum espaço, já que estaremos juntas todos os dias pelos próximos meses. Pude espalhar pelo quarto diversos presentinhos que ganhei para trazer e tornar meu cantinho bem pessoal. Minha canga da bandeira do Brasil virou um tapete em baixo da janela e enchi a parede de post-its com palavras em Swahili que preciso aprender. Basicamente estou etiquetando todos os objetos, para aprender seus nomes, e colocando também nomes de vegetais e expressões importantes.
Neste momento estou deitada na cama, embaixo da tela-mosquiteiro que recebi como doação. Aqui vale uma propaganda mais do que justa: recebi tubos de repelente e a tela-mosquiteiro como doação da Exposis. Foi uma doação inesperada, pois os contatei pelo formulário de contatos do website após a médica do viajante do Hospital das Clínicas ter recomendado especificamente esta marca de repelente e tela. E recebi uma resposta muito gentil, que se tornou posteriormente uma doação. Esta tela, além da proteção física contra os mosquitos, tem um repelente impregnado que realmente afasta qualquer inseto. E o repelente é fantástico, o aplico pela manhã e só preciso reaplicá-lo à noite (dura 10 horas).
O jantar foi na casa do Christopher. Ele e Bruno vieram gentilmente nos buscar e nos conduziram até sua casa, onde almoçamos os quatro, a esposa do Christopher e seus três filhos. Não existe qualquer tipo de iluminação nas ruas e a maior parte das casas tinha luz de velas, incluindo a casa do Christopher onde jantamos a luz de lampião. O cardápio foi arroz e peixe cozido com batatas. O peixe é pescado em um lago perto daqui, que estou ansiosa para conhecer. Eu tinha uma ingênua intenção de, quem sabe, nadar no lago, mas aparentemente há muitos crocodilos por lá. Melhor guardar a natação para quando voltar ao Brasil :S
A casa em que estamos tem eletricidade e é, provavelmente, uma das casas mais ajeitadas da vila. Ainda assim não há água na pia ou no chuveiro, banhos de balde e canequinha me aguardam pelos próximos 6 meses. Parte da diversão :)
Amanhã pela manhã teremos uma reunião com os líderes comunitários, às 9h00 - Zen Francis virá nos buscar. Hora de descobrir tudo que pudermos sobre Magoma, conhecer as pessoas, nos inserir na comunidade. E arregaçar as mangas para garantir que daqui a 6 meses exista um projeto consistente caminhando por aqui.
Uma coisa que vale dizer é que Andrew, americano super doce da equipe Lutindi, estava me dizendo o quanto para ele é um choque de realidade ver a vida na Tanzânia. Não deve ser fácil para alguém que vive no país que consome mais da metade de todos os recursos, tem máquinas pra tudo, alimentação baseada em comida industrializada e milhões de americanos comendo quantidades super-size de comida de repente se deparar com essa outra realidade. E mesmo para uma brasileira, a realidade às vezes providencia alguns tapas na cara. Ver as pessoas preparando sua melhor comida para nos receber em suas casas super simples, nos dizendo “karibuni”, confiando na nossa presença para construir um projeto que melhore um pouquinho suas vidas é ao mesmo tempo enriquecedor e comovente.
A bola está rolando...
Tenho certeza que minha pobre descrição não dá nem a mais simples idéia do quanto o suco é delicioso. E isso vindo de uma pessoa que não gosta de manga nem de abacate.
As viagens de carro têm sido sempre divertidas. Hoje Sam e Kristina dormiram sentados e bateram cabeças, um no outro, no meio de uma curva. Gargalhadas garantidas.
Havia um grupo de pessoas nos esperando em Magoma: Maria (que está nos recebendo em sua casa), Faith (que é a dona da casa e vive na casa ao lado), Zen Francis (bem velhinho e uma simpatia, líder comunitário – zen é a palavra em Swahili para designar o mais velho), Christopher (outro líder comunitário) e Bruno (está estudando para se tornar professor e fala um ótimo inglês).
Foi maravilhoso chegar em casa, pudemos arrumar nossos quartos e espalhar nossas coisas. Eu e Kristina ficaremos em quartos separados, o que nos dá um pouco de privacidade e algum espaço, já que estaremos juntas todos os dias pelos próximos meses. Pude espalhar pelo quarto diversos presentinhos que ganhei para trazer e tornar meu cantinho bem pessoal. Minha canga da bandeira do Brasil virou um tapete em baixo da janela e enchi a parede de post-its com palavras em Swahili que preciso aprender. Basicamente estou etiquetando todos os objetos, para aprender seus nomes, e colocando também nomes de vegetais e expressões importantes.
Neste momento estou deitada na cama, embaixo da tela-mosquiteiro que recebi como doação. Aqui vale uma propaganda mais do que justa: recebi tubos de repelente e a tela-mosquiteiro como doação da Exposis. Foi uma doação inesperada, pois os contatei pelo formulário de contatos do website após a médica do viajante do Hospital das Clínicas ter recomendado especificamente esta marca de repelente e tela. E recebi uma resposta muito gentil, que se tornou posteriormente uma doação. Esta tela, além da proteção física contra os mosquitos, tem um repelente impregnado que realmente afasta qualquer inseto. E o repelente é fantástico, o aplico pela manhã e só preciso reaplicá-lo à noite (dura 10 horas).
O jantar foi na casa do Christopher. Ele e Bruno vieram gentilmente nos buscar e nos conduziram até sua casa, onde almoçamos os quatro, a esposa do Christopher e seus três filhos. Não existe qualquer tipo de iluminação nas ruas e a maior parte das casas tinha luz de velas, incluindo a casa do Christopher onde jantamos a luz de lampião. O cardápio foi arroz e peixe cozido com batatas. O peixe é pescado em um lago perto daqui, que estou ansiosa para conhecer. Eu tinha uma ingênua intenção de, quem sabe, nadar no lago, mas aparentemente há muitos crocodilos por lá. Melhor guardar a natação para quando voltar ao Brasil :S
A casa em que estamos tem eletricidade e é, provavelmente, uma das casas mais ajeitadas da vila. Ainda assim não há água na pia ou no chuveiro, banhos de balde e canequinha me aguardam pelos próximos 6 meses. Parte da diversão :)
Amanhã pela manhã teremos uma reunião com os líderes comunitários, às 9h00 - Zen Francis virá nos buscar. Hora de descobrir tudo que pudermos sobre Magoma, conhecer as pessoas, nos inserir na comunidade. E arregaçar as mangas para garantir que daqui a 6 meses exista um projeto consistente caminhando por aqui.
Uma coisa que vale dizer é que Andrew, americano super doce da equipe Lutindi, estava me dizendo o quanto para ele é um choque de realidade ver a vida na Tanzânia. Não deve ser fácil para alguém que vive no país que consome mais da metade de todos os recursos, tem máquinas pra tudo, alimentação baseada em comida industrializada e milhões de americanos comendo quantidades super-size de comida de repente se deparar com essa outra realidade. E mesmo para uma brasileira, a realidade às vezes providencia alguns tapas na cara. Ver as pessoas preparando sua melhor comida para nos receber em suas casas super simples, nos dizendo “karibuni”, confiando na nossa presença para construir um projeto que melhore um pouquinho suas vidas é ao mesmo tempo enriquecedor e comovente.
A bola está rolando...
Lutindi
Acompanhamos a equipe de Lutindi a Lutindi no domingo. Foi divertidíssimo porque não há transporte para Lutindi e tivemos que alugar um caminhão, no qual fomos todos em pé na caçamba com a bagagem no meio.
A estrada é linda, se parece com a subida da terra da Mantiqueira, o friozinho chegando com a mudança de altitude. Alex e Lindsay foram preparadas para ficar, mas Andrew teve que ficar mais um dia em Korogwe porque ainda não estava recuperado e estava tomando um antibiótico.
Chegamos na hora da missa. 98% de Lutindi é formada por católicos e assistimos quase duas horas de missa em Swahili sem que eu entendesse uma palavra do que estava sendo dito. Minha parte favorita foi, é claro, a dança. O coral canta e dança, quase uma coreografia de axé. Confesso que o coral luterano foi mais divertido porque as coreografias e as músicas eram mais alegres, mas o coral católico também ajuda a quebrar a sisudez da missa.
John Mtambo, meu herói sempre, foi convidado a falar sobre nós no meio da missa e explicar nosso projeto. Logo depois da missa há um leilão no quintal da igreja e todos nós nos apresentamos para a comunidade. Consegui falar 5 frases completas em Swahili - tento acrescentar uma nova frase a cada apresentação que faço.
A parte estranha das apresentações foi ver as mulheres todas juntas na lateral e os homens todos juntos na frente. A maior parte das pessoas falou apenas para os homens e por isso tentei me lembrar de virar diversas vezes e olhar para a mulherada sorridente.
Também encontramos uma família de alemães, vivendo em Lutindi há dois meses e pelos próximos 3 anos. Isso porque Lutindi tem um hospital psiquiátrico que foi montado ali durante a colonização alemã e que é até hoje administrado por alemães. Demos uma volta para conhecer o hospital, toda a paisagem é deslumbrante e existe um pequeno curral, com algumas vacas e porcos; algumas salas para workshops de tear a artesanato; uma grande cozinha em que pelo menos uma vez por semana se faz um almoço comunitário, para dar a oportunidade a todas as pessoas da comunidade de comerem carne semanalmente; um pequeno armazém.
Vimos alguns camaleões nas árvores, mudando de cor, mostrados pela filhinha do casal alemão, 8 anos.
Almoçamos na casa em que a equipe ficará sediada. Um almoço delicioso de shapati (uma espécie de panqueca frita), arroz, feijão e verdura. Aliás, nunca comi tanto arroz com feijão como tenho comido aqui. Tudo preparado pela esposa do Sr. Dismess, homem de múltiplas habilidades e simpatia infinita que será a peça fundamental para a equipe.
A comunidade nos convidou para uma pequena reunião e fomos para a sede dos líderes comunitários, uma casa de pau-a-pique com uma mesa e diversos bancos. Alguns senhores bem velhinhos vieram nos receber, comovente. Aqui sempre há reuniões de apresentação.
O passeio pela plantação foi super agradável. Pés de tomate, cenoura, de uma planta de flores cor-de-rosa que funciona como repelente natural e de outra que funciona como inseticida natural (vimos centenas de mosquitos mortos sob as plantas, impressionante). O momento constrangedor aconteceu quando a Lindsay estava passando de uma área para outra (são como quarteirões de plantação separados por ruas alagadas) e se estabacou no chão. E só estou descrevendo este momento aqui porque tenho certeza que vou passar por uma situação tão ou mais constrangedora em breve já que sou craque em tomar capotes. E quando pagar meu mico também o tornarei público, palavra de honra.
O sol já estava baixando quando subimos na caçamba para voltar a Korogwe. Descer a serra foi tão lindo quanto subir, paisagem deslumbrante e um friozinho noturno que não sentia há algum tempo.
Tenho a sensação que a equipe de Lutindi terá a chance de montar um projeto fantástico. É um pouco precipitado dizer isso, mas acredito que naquela comunidade o principal desafio não é a segurança alimentar, pois como não se trata de uma região seca, há bastante variedade de cultivo. Acho que o desafio será transformar os produtos em opções rentáveis, que possam ser comercializadas e transportadas aos mercados. Há um saco de chá, feito no hospital psiquiátrico, fantástico. Eles usam os tecidos coloridos que sobram da produção de roupas e o produto final é distribuído com uma embalagem extremamente atraente.
De qualquer forma existe uma equipe bastante capacitada para analisar e situação de Lutindi e montar o projeto. Desejo a eles toda a sorte do mundo.
Pp. John Mtambo, como não podia deixar de ser, foi em pé na caçamba do caminhão junto conosco a Lutindi. Tentamos oferecer a ele o assento na cabine, mas ele se recusou a perder a diversão. Meu herói :)
A estrada é linda, se parece com a subida da terra da Mantiqueira, o friozinho chegando com a mudança de altitude. Alex e Lindsay foram preparadas para ficar, mas Andrew teve que ficar mais um dia em Korogwe porque ainda não estava recuperado e estava tomando um antibiótico.
Chegamos na hora da missa. 98% de Lutindi é formada por católicos e assistimos quase duas horas de missa em Swahili sem que eu entendesse uma palavra do que estava sendo dito. Minha parte favorita foi, é claro, a dança. O coral canta e dança, quase uma coreografia de axé. Confesso que o coral luterano foi mais divertido porque as coreografias e as músicas eram mais alegres, mas o coral católico também ajuda a quebrar a sisudez da missa.
John Mtambo, meu herói sempre, foi convidado a falar sobre nós no meio da missa e explicar nosso projeto. Logo depois da missa há um leilão no quintal da igreja e todos nós nos apresentamos para a comunidade. Consegui falar 5 frases completas em Swahili - tento acrescentar uma nova frase a cada apresentação que faço.
A parte estranha das apresentações foi ver as mulheres todas juntas na lateral e os homens todos juntos na frente. A maior parte das pessoas falou apenas para os homens e por isso tentei me lembrar de virar diversas vezes e olhar para a mulherada sorridente.
Também encontramos uma família de alemães, vivendo em Lutindi há dois meses e pelos próximos 3 anos. Isso porque Lutindi tem um hospital psiquiátrico que foi montado ali durante a colonização alemã e que é até hoje administrado por alemães. Demos uma volta para conhecer o hospital, toda a paisagem é deslumbrante e existe um pequeno curral, com algumas vacas e porcos; algumas salas para workshops de tear a artesanato; uma grande cozinha em que pelo menos uma vez por semana se faz um almoço comunitário, para dar a oportunidade a todas as pessoas da comunidade de comerem carne semanalmente; um pequeno armazém.
Vimos alguns camaleões nas árvores, mudando de cor, mostrados pela filhinha do casal alemão, 8 anos.
Almoçamos na casa em que a equipe ficará sediada. Um almoço delicioso de shapati (uma espécie de panqueca frita), arroz, feijão e verdura. Aliás, nunca comi tanto arroz com feijão como tenho comido aqui. Tudo preparado pela esposa do Sr. Dismess, homem de múltiplas habilidades e simpatia infinita que será a peça fundamental para a equipe.
A comunidade nos convidou para uma pequena reunião e fomos para a sede dos líderes comunitários, uma casa de pau-a-pique com uma mesa e diversos bancos. Alguns senhores bem velhinhos vieram nos receber, comovente. Aqui sempre há reuniões de apresentação.
O passeio pela plantação foi super agradável. Pés de tomate, cenoura, de uma planta de flores cor-de-rosa que funciona como repelente natural e de outra que funciona como inseticida natural (vimos centenas de mosquitos mortos sob as plantas, impressionante). O momento constrangedor aconteceu quando a Lindsay estava passando de uma área para outra (são como quarteirões de plantação separados por ruas alagadas) e se estabacou no chão. E só estou descrevendo este momento aqui porque tenho certeza que vou passar por uma situação tão ou mais constrangedora em breve já que sou craque em tomar capotes. E quando pagar meu mico também o tornarei público, palavra de honra.
O sol já estava baixando quando subimos na caçamba para voltar a Korogwe. Descer a serra foi tão lindo quanto subir, paisagem deslumbrante e um friozinho noturno que não sentia há algum tempo.
Tenho a sensação que a equipe de Lutindi terá a chance de montar um projeto fantástico. É um pouco precipitado dizer isso, mas acredito que naquela comunidade o principal desafio não é a segurança alimentar, pois como não se trata de uma região seca, há bastante variedade de cultivo. Acho que o desafio será transformar os produtos em opções rentáveis, que possam ser comercializadas e transportadas aos mercados. Há um saco de chá, feito no hospital psiquiátrico, fantástico. Eles usam os tecidos coloridos que sobram da produção de roupas e o produto final é distribuído com uma embalagem extremamente atraente.
De qualquer forma existe uma equipe bastante capacitada para analisar e situação de Lutindi e montar o projeto. Desejo a eles toda a sorte do mundo.
Pp. John Mtambo, como não podia deixar de ser, foi em pé na caçamba do caminhão junto conosco a Lutindi. Tentamos oferecer a ele o assento na cabine, mas ele se recusou a perder a diversão. Meu herói :)
terça-feira, 13 de julho de 2010
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